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6:55 PM
O toque do dedilhar...

Estes são nossos registros. Nossos, de nossa família. E aqui dataremos o amor, seja em qual forma ele se apresente. Seja sob momentos fraternais, seja em rompantes de uma paixão que explode. Sempre fui do tipo safo. Do tipo que se vira em qualquer circustância e sobrevive. Fosse com antigos negócios, puxando carros. Ora não se enganem. Ninguém que vive onde vivo pode passar ileso aos caminhos tortuosos do lixo e da escória. Quem passou ileso, ganhou caminho direto para o cemitério do morro. Vc tem que aprender com quem falar, com quem tratar, de quem ser amigo na hora certa e de quem se tornar inimigo quando ele menos espera. Esta é a vida. Manter seus amigos sob grossas vistas e trazer para si quem você confia. Mas estas são águas passadas. Já não faço pequenos servicinhos, Mas minha aposentadoria veio de uma forma tranqüila com pequeninos favores em agradecimento ao que já fiz. Ganhei um emprego “descente”. O que sou? Sou um barman, do Coyote’s. Um bar barra pesada aqui no México. Onde o melhor Drink de todo país é preparado por mim. Quer beber e conhecer o paraíso? Venha a mim... Quer beber e conhecer o Inferno? Eu te abro as portas. Mãos rápidas é o que alguns dizem. Eu digo que é muito mais que isto. É a mesma rapidez com a qual meu dedo dedilha as cordas do meu violão. A mesma com que eles puxam um gatilho, a mesma com a qual ele dedilha as curvas de uma mulher. A rapidez do ritmo. O ritmo que escuto todos os dias dentro do meu trabalho. Que conduz o mover de ancas das vadias que dançam no palco. Ou das estrelas que por algum mistério de Nossa Senhora resolvem aportar no mesmo palco entre as vadias. Assim a vi pela primeira vez. Assim a senti a primeira vez. E quando os meus olhos pousaram nos dela não puderam mais sair. Me tornei escravo. Eles passaram a fazer apenas o que os olhos dela ditaram para que os meus fizessem, fosse descer ao corpo, ao mover dos quadris sensualmente, ao deslizar dos dedos no ar que parecem chamar todo o bar, todo o publico e todo eu. Sensações. Eu nunca pude imaginar que ao sentir seus braços sobre meus ombros, que ao sentir o brincar da ponta dos dedos em minha nuca, jamais meu corpo quisesse encontrar outra morada, que minha pele riscasse em fogo, em brasa ao sentir o toque suave da dela. Que os hálitos pudessem se misturar no ar, tornando-se densos como se pudessem tocar as bocas quando ela desliza a dela próxima a minha num provocar que poderia me matar muito mais que mil balas. Que meu coração passasse a ser dela. Que minha vida passasse a ser dela. Que nela eu me encontrasse e me perdesse tantas vezes fossem possíveis. E creiam, é com a mesma maciez que meus dedos deslizam nas cordas do meu solitário violão que deslizam sobre as curvas da cintura delgada, que apoio sobre as coxas a madeira do instrumento e entre as dela a minha perna que se encaixa com divina perfeição. Sim sou grato. Sou grato a Santa Mãe de Deus que me guarda e protege. A mim, a ela, e a meu irmão Antônio, mesmo que ele nem mereça tanto. E que na maioria das vezes eu o queira matar.
La Mano Negra
0 :...Do you wanna dance?...:
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